Criando no e-Teatro: Iluminação

Um dos elementos mais importantes em uma performance teatral é a iluminação, que não só serve o propósito de iluminar mas também de ambientar o espetáculo e até mesmo ajudar a contar a história. Mas como é fazer iluminação no e-Teatro comparando com o Teatro presencial? Conversamos com a iluminadora Juliana Kovalenkinas essa semana para nos ajudar a explicar! Ela participou do processo de nossa peça “Os Príncipes e o Tesouro” e topou compartilhar algumas percepções que teve durante este projeto e o nosso próximo espetáculo “Love+”, do qual ela também faz parte!


Para Juliana, três diferenças principais foram notadas durante o processo. “A mais óbvia é a presença virtual, de conhecer um espaço através de uma tela. O ator está na casa dele e eu tenho que conhecer a casa dele através da tela, e eu vou ter que pensar essa luz no espaço onde ele está sem conhecer presencialmente. Isso foi um desafio, mas ampliou meu olhar, com certeza.” Ela pontua também que chegou a conhecer alguns desses espaços depois, e que a experiência de fazer uma concepção sem conhecer o ambiente foi algo novo e que exigiu cuidado dobrado de sua parte. “A luz depende extremamente do espaço. Uma parede de uma cor diferente, um móvel, uma posição, um ângulo, tudo isso muda a incidência de luz no ambiente, no ator e no cenário.”


Outro diferença que afetou a concepção e a operação de luz foi a presença da câmera e da tela. Como o e-Teatro é transmitido pela internet, surgiu uma preocupação em entender como a lente interfere na forma em que a iluminação do espaço aparece pela tela dos espectadores. “Eu sempre trabalhei com Teatro presencial então isso não era relevante porque o olho do espectador era o único alvo desse cenário e não tinha que me preocupar com a captação de luz pela câmera e como isso vai ser na tela. Então isso foi algo que eu tive que estudar mais, essa parte da fotografia e como funciona a câmera. Eu já sabia como funcionava para o olho humano, mas não conhecia exatamente como funcionava na câmera, apesar de saber que tinham muitas semelhanças."


A última diferença pontuada por Juliana é a questão da segurança em relação ao manuseio dos equipamentos de iluminação. No Teatro presencial, poucos equipamentos de luz são manuseados pelos atores, e ela pontua que nesses casos são pensadas as melhores formas de manter a segurança, já que as luzes gerais do espaço são preocupações do técnico de luz. “Mas como essa peça foi transmitida da casa dos atores, isso foi algo que eu tive que ficar muito atenta, sobre que tipo de equipamentos e lâmpadas usar para poder ser o mais seguro possível para os atores manusearem e ainda assim ter o resultado que eu esperava da iluminação.”


Existem outras diferenças que surgem ao longo das descobertas de processo, mas para a Juliana, essas são as maiores. Algumas diferenças são mais técnicas e algumas mais artísticas, mas todas interferem na hora de fazer a concepção e a operação da iluminação.


Gostou de saber mais sobre a luz no e-Teatro? Conta pra gente o que achou! E segue a @jukovalenkinas nas redes sociais!


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