"Descontrole Público" Reflete Sobre o Reencontro e Seus Efeitos

Para brasileires que se mantiveram em isolamento social durante a pandemia causada pela COVID-19, a ansiedade para voltar a ter festas e aglomerações tem sido grande. Mas o que podemos esperar dessa volta? Depois de quase dois anos sem comemorações, como seria a primeira festa? É isso que presenciamos no e-Teatro "Descontrole Público" do Núcleo Pequeno Ato.


Com direção de Pedro Granato, o espetáculo é totalmente online, transmitido pela plataforma Zoom. A peça mostra 20 pessoas que não se viam desde o início da pandemia e que, após tomarem suas vacinas, decidem fazer uma "festa de fim do mundo" em uma casa alugada. Regada a muita bebida, drogas e música alta, a festa desperta conflitos e questões pessoais se misturam à euforia do primeiro encontro presencial entre o grupo de convidades.


A ideia do espetáculo é também dar controle (ou descontrole) ao público. Inspirado nos jogos de videogame em primeira pessoa, o espectador é convidade a escolher um dos seis personagens controláveis da peça para assistir seu núcleo e dar ordens ao personagem escolhido através de comandos de voz. São seis salas simultâneas com seis cenas diferentes mas que se passam no mesmo local, e ao escolher a sua, o público se torna co-dramaturgue da história, podendo comandar as ações e as emoções do ator-personagem que lidera o núcleo.


Este espetáculo é um ótimo exemplo das inúmeras possibilidades que existem no e-Teatro. Os personagens controláveis usam fones de ouvido para ouvir os comandos da plateia ao mesmo tempo em que interagem com seu núcleo. A junção com as mecânicas de games torna a peça uma experiência intensa, e força o espectador a questionar suas próprias ações e morais. O que você faria naquela situação? Será que agiria da mesma forma que comandou seu personagem a agir? Você concorda com os comandos de outres espectadores? Será que temos esse direito de controlar as reações de alguém?


Todas as ações de seu personagem tem efeito sobre a história e podem interferir em outros núcleos, não há uma dramaturgia fechada. Esse é um espetáculo divido em seis cenas, e por isso a recomendação é assistir mais de uma vez para que se possa ver todos os lados da história. Mas mesmo assistindo somente uma das partes, o efeito reverbera. Os questionamentos ainda surgem e a experiência continua sendo cativante. O elemento da interatividade é muito bem implementado e aproxima o público da história de forma criativa.


"Descontrole Público" está em cartaz até dia 5 de setembro, às sextas, sábados e domingos. Ingressos disponíveis no site da Sympla.

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